quarta-feira, 2 de abril de 2008

A vã glória de viver.

Respondendo aqui neste espaço aos ímpetos Joshianos, digo em minha defesa que o desafio soçobra ao repto. Essa é a vingança suprema.

Queixa-se do Moisés que lhe saiu em rifa. Das reduzidas escolhas que a vida lhe reserva, como se a opção não fosse sempre nossa, limitada apenas pelos pesos que colocamos em cada um dos pratos da balança.

Josh ofereço-te a glória de Moisés: segue os egípcios.

A verdadeira coragem não é não ter medo da morte, mas enfrentá-la.

21 comentários:

antonio disse...

Josh, eu também te estimo muito e amo a tua escrita.

Fa menor disse...

Eh lá...
Isto aqui vai quente...

quintarantino disse...

... vós, meus filhos, amai-vos mas que não seja no sentido bíblico ...

joshua disse...

PONG

O sentido de conhecer-amar em Bibliês é que não o queremos, porque é ter sexo mesmo. E o nosso amar, a brincar que o diga, faz-se de ter reconhecido no António uma voz particular que depois se diluiu ou obnubilou no seu legítimo experimentalismo literário, sob a tutela Marmelo-Miniscente.

António, sem nos levarmos demasiado a sério, não é? Reconheço as tuas ganas e o teu deslumbramento literário e contístico e ter-me-ás sempre aqui numa leitura apreciante e apoiante porque o teu trabalho e crença têm sido assinaláveis e não desprezíveis. Eu quero e preciso abraçar reptos como o teu. Mas neste momento simplesmente não consigo. E o problema é algo em mim que mais adiante vou explicando.

Se afectaste o tom e viveste a fundo o influxo de luxo proporcionado pelo Marmelo-Sibila Miniscente, óptimo e optimíssimo se daí emanou grande prazer e controlo da coisa de escripcionar a que tanto nos dedicamos.

Nesta fase da minha vida, só tenho esgares cínicos desconfortados e desconfiados para com Mestres, Professores e demais gente detentora e autorizada. Que se quilhem, para não dizer que se fodam todos.

O teu repto-desafio é um belo sinal e um belo prémio de estímulo e de reconhecimento das minhas tretas poéticas e semicontísticas, parece-me, pelo menos, mas, vê tu, não ando animicamente muito fresco.

Se pareço activo e obreiro no PALAVROSSAVRVS REX, isso é à custa do forçar uns valentes deficits de sono que o biscate nocturno me inocula maligno.

Tenho passado pela praia todos os dias, que é perto. Venta um pouco, mas já se aufere de um calor calmante. Se pudesse, passaria o dia inteiro abraçado ao nada sob o sol, ao aplauso-bramido marinho, mergulhando nele o mais possível.

Mas chego, faço a minha covinha na areia, junto a uma nascente rente às rochas, a marinha água acumula nela e eu inalo-a até lacrimejar e me engasgar como quando se engole um pirolito durante a época balnear, traídos por uma onda de mar.

Três ou quatro inalações a fundo e regresso ao carro. O areal é extenso. E perante aquele mar de pegadas sobrepostas, lixos vários, posso meditar ainda um pouco em tudo isto que se passa comigo.

Afunilei as minhas energias de criação numa só coisa. Acho que no fundo estou em perda e a roçar uma grande depressão, motivada em grande parte por não ter dinheiro ou qualquer estabilidade, ano após ano, após anos, e já vão doze. Perdi sempre. Perco sempre. Fartei-me. Se pudesse viver bem com os vinte euros que ainda hoje anonimamente me transferiram para a minha conta falida do Millennium, viveria de bom grando. Estou farto. Estou cansado. A Noite, a feérica e hipnótica Noite, tolera-se. Tento chegar cedo a casa para dormir mais. Nem sempre consigo. Pior ainda, nem sempre sou pago a tempo e horas. A Noite tolera-se. Deixa-me em paz. Não me martiriza por demais como a Escola e o que os burocratas defictólogos teceram e me aniquilou.

Estou deprimido cá num certo cerne de mim disso de ser professor e seguir um caminho convencional. Quero escrever todo o dia. Comentar, como atiraste retaliador, o trabalho dos outros. Falar da obra alheia e esquecer-me da minha. Euforizo-me facilmente a escrever umas coisitas, umas provocações, uns desabafos, umas ousadias mesmo com amigos, que amo, como tu, mesmo com quem entreteci laços sobretudo virtuais e, claro, rivalidade nesse plano porventura. Não tenho nada.

Por isso mesmo não tenho nada a perder.

Na orla da rebentação, lá, na minha praia, ao ver aqueles milhares de paus de cotonete que a rebentação violentamente expeliu, penso-me agora mesmo cansado, gordo, sonolento, desequilibrado, pronto apenas para manter o meu pobre blogue vivo, activo, porque sinceramente não tenho energias para mais. Mesmo do ensino estou cansado, derrotado, desanimado, já disse.

Enquanto plataforma comercial, o meu sítio ainda é uma merda de rendimentos. Ainda sou pouco visitado e conhecido e continuo pelo mundo a tentar cativar almas para o meu esplendoroso fosso, talvez o meu buraco bloguítico afinal tenha alguma luz. Talvez dele luza algum mérito artístico feito dos meus fragmentos, dos fragmentos do que vejo, das minhas ingenuidades e esperanças, na certeza de que me sinto e ajo fundamentalmente a partir de uma notória depressão de algo bem âmago em mim.

Amarelamente, te digo: viva o Repto e este Réptil agradece. Morte ao desafio. A minha nau escriptora soçobra à ventania de estes tempos. Amarelamente te digo.

PALAVROSSAVRVS REX

antonio disse...

Meu caro Josh, só as bestas não se deixam domar!

Eu sei o que é isso de andar pela orla da rebentação; como pesados nos ficam os pés impedindo-nos de escapar à onda que se dilui margem adentro. Muito disso é corpo que não responde, vontade ausente e teimosia orgulhosa. Daria uma flor as suas pétalas para ter asas?

Meu egípcio da margem segura, meu inalador de mar em formato de poça… não é o talento que eu espero que se solte em ti, mas sim a besta, seguramente mais promissora.

Blondewithaphd disse...

Bocês decidirem-se que a malta não tirou um doutoramento para isto! Arre!

Blondewithaphd disse...

Ai que baralhação Cristo Santo Senhor! Eu bem sei que a Blonde ontem trabalhou 15 horas seguidas e ainda está meio vesga, deve ser do déficit de sono que não entende nada.

Ó António, isto afinal estamos em dois blogues? E esse livro vende-se na FNAC? Sai ou não sai? Mas alguém fala uma língua que eu entenda? Sim, deve ser do multilingualismo que entretanto me deve ter entrado em curto-circuito e queimou os fusíveis de um nerónio já de si sobreaquecido!

antonio disse...

Estava a tentar dialogar em Joshuês, mas falta-me o domínio do vocabulário...

alf disse...

O Fernando Pessoa disse qq coisa como "neste mundo ninguém se perde, tudo são caminhos". É isso que temos de fazer: caminhar! Não nos está a agradar o caminho? Olhamos à volta e partimos noutra direcção. Tudo são caminhos. E caminhar é que é importante, não é chegar, porque não há aonde chegar.

Ó Blonde, clica aqui ao lado, em "Outros desassossegos" no link "Em Livro". E não te passes: pensavas que só as mulheres é que tinham um "complicómetro"? Como vês, os homens, quando abrem o "cofre"...

Tiago R. Cardoso disse...

Ainda estou de boca aberta com o post que o Joshua meteu aqui, cruz credo...

Blondewithaphd disse...

ALF,
Gracias pela instrução, porém continuo tão atada como anteriormente. Sim, acho que tens razão: ele há homens que valham-me os deuses do Olimpo!

Casemiro dos Plásticos disse...

Quente, quente está blog a ver os próximos episódios...
abraço e continuação de boa semana.

indomável disse...

Então cá me tens por cá a responder ao repto, a tentar sobreviver ao desafio.
Pois que vejo que tanto tu como o nosso amigo reptiliano de lingua afilada resolveram desenvolver uma relação ambígua de amor/desamor, de um mel cozinhado a fel palavroso e uma saudosista habilidade para nos deixar a todos sem palavras ou comentários de geito.
Quanto ao Carmelo do Miniscente, meu querido Rex palavroso, foi também um meu professor, mas não daqueles que nos impõe um caminho, mas mais daqueles que nos mostra onde estão as portas e nos pede para as abrir...
É podes sempre dizer que eu sou rapariga de um só neurónio sem muita capacidade para distinguir o que é bom do que é mau, o que é seguir e o que é cegamente seguir, mas no Carmelo tive realmente um professor que se revelou um amigo despretensioso e senhor de uma extrema capacidade de nos ensinar as artes da pesa sem nunca nos dar realmente o peixe.
O António é um ser literário, uma alma fortemente guiada por palavras que lhe vão nascendo do nada, uma energia que brota por todos os poros e que andava um tanto ou quanto descontrolada. A páginas tantas senti que ele precisava de alguém que lhe dissesse, "muito bem, chegaste até aqui sozinho, Excelente! agora experimenta aquela porta, pode ser que descubras algo novo que te sirva de caminho!
O Carmelo sabe fazê-lo como ninguém, mas é o próprio Antonio que tem de decidir qual o caminho que segue.
É como diz o nosso Alf. Tudo são caminhos, as portas são mais que muitas e quando elas parecem acabar há sempre mais uma janela por onde espreitar. Sim podemos sempre seguir um novo caminho, virar costas e voltar para trás. Nunca é tarde para dizer-mos que afinal nos enganámos, apesar do tempo investido naquele, será melhor experimentar outro caminho...

Seja como for, meu querido reptil verbalizante, adoro as tuas palavras contorcionistas, o teu geito Daliano de compor as frases, essa tua visão distorcida/realista das coisas... Eu não tenho a tua proficiência linguistica, tão pouco a do Antonio, mas é sempre um prazer ler-vos, sobretudo quando a nossa moral anda por baixo e só nos apetece fundir com a água salgada do mar...

antonio disse...

Indy, tirando os prolongados desprezos com que me brindas, a minha relação com o Josh tem muito a ver com a nossa... embora a nossa seja menos profícua. Mas vocês os dois têm algo em comum: escondem uma imensa preguiça por baixo de um manto de lamentações. ;)

alf disse...

António, há uma coisa que ainda não terás percebido: a Indy é uma fada providência, aparece quando é preciso. São assim as fadas...

antonio disse...

Alf, talvez... gosto da tua versão.

joshua disse...

Indómita, minha querida, corroborando a ideia do Alf, de facto compareces providencial e a tua voz mesmo esparsa gera saudade, se ausente, e reconforto, mal ressoa.

O António tem sido uma tentação permanente para mim, uma provocação insistente e eu tenho sido um grande resistente das suas invectivas e mesmo essa minha resistência, sendo uma espécie de mistério para mim de tão irracional e complicativa, parece que aponta, como um íman, para o Norte precisamente das provocações e reptos antonianos.

Às vezes, parece que nos magoamos, mas ambos, tenho a certeza!, manejamos os limites da palavra endurecida como se manejam os punhais de desvendar as vísceras profundas do afecto e da raiva, tão interligadas desde sempre como os tendões na carne.

Por isso, dou por mim a meditar profundamente, apesar da minha hora de chumbo, em o que perderia eu ao caminhar o itenerário temático e volumétrico das propostas do António e ele já concretizou uma. Por que lhe resisto eu, se sei bem que o que ele visa é um amadurecimente consciencializado do acto arquitectónico da nossa expressão escrita rumo à obra consumada e publicada, física, meta de ambos?! E até agora, o António foi o único ser humano que a esse ponto me provocou obstinada e ferozmente.

Não sei. A tentação permanece. Sou-lhe sensível e há momentos em que me apetece em frémitos vir ao PC garatujar sobre as téclas, aqui no Implume, um «Sim, António, aqui me tens. Molda-me lá. Miniscentiza-me, leva-me pelo teu caminho de recusa da morte e da preguiça enquanto escorreito discurso só fácil, só fluente, só prazer, mas que nunca se torna obra e nunca se consolida consistentemente também em papel folheável, em livro, em coisa tridimensional. Ser-te-ei dócil na minha bestialidade bruta reptílica. Se me deres nos colhões, eu acerto-te no estômago, e estaremos juntos, justa e justificadissimamente juntos, nisto porque tu o queres e eu o quero.»

É então que mudo uma fralda, reparo na passarada cagaçalando no meu quintal e jardim, sinto os odores primaveris despertando-me o pasmo interior que me remete a vogar livre e alheado e adio essa prontidão de ímpeto.

Mas, Indómita, o António é um guerreiro. Eu atiro-lhe com as minhas armas e os meus lixos de rebeldia e recusa culpada e remordida e ele, por sua vez, suportando-os por inteiro, fica hirto, à distância conveniente, aproveitando a abertura do meu flanco, para ferir-mo com um golpe certeiro e isolado, retraindo-se depois para repetir a sua arte de combater as vezes que forem necessárias. Ulteriormente, não é que eu não o engula e regurgite e vença, mas ele é um Clint Eastwood nestas coisas e o nosso combate um Eterno Retorno, Eterno Recontro e tudo recomeça, portanto.

É precisamente por isso que aqui regresso para te escrebeijar e para a ele me redirigir obliquamente porque, nesta irmandade fogosa pelo Literário, eu o amo odiosamente, para perplexidade dos que cá venham espreitar em que pé está de Ping está este Pong.

PALAVROSSAVRVS REX

antonio disse...

Um meteorito de ciclo irregular... enganador como fêmea que é.

Em tempos, veio para ao pé de mim, insinuando-se, ronronando dissimuladamente…desafiou-me, deu-se por feliz que eu tenha caído na armadilha e retirou-se. Nunca antes um meteorito tinha ficado tanto tempo rondando a terra.

joshua disse...

A Terra é que é fêmea. O meteorito é somente esporo de fugaz luz inseminadora, espermatocósmico e macho, muito macho.

PALAVROSSAVRVS REX

Pink&Blue disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pink&Blue disse...

Olá António,
Vinha fazer uma visita. Há muito que cá não vinha. Bati à porta. Estava aberta e eu fui entrando. A palavras tantas constactei: - sou uma intrusa. Estou a mais. Já presenciei demasiada intimidade para um convite que não me foi feito. Ía voltar para trás sem deixar rasto mas pareceu-me cobardola. Afinal já cá estava, não é? pelo menos podia cumprimentar os presentes antes da retirada silenciosa.
Entretanto o Alf lembrou-me de um post meu que se chama, precisamente Caminhos
Já o Josh, lembrou-me de um poema a que chamei Viagem ao Interior

Por isso, aqui deixo estas lembranças antes de me "pirar" pela porta dos fundos.
Abraços a todos
Pink