Uma família entrevistada confessa a insegurança em que vivem, a sua falta de esperança no futuro do país. O pai adianta, a frase que foi escolhida para destaque da entrevista: antes tínhamos um ditador, agora temos muitos. O caos e a anarquia parecem ter tomado conta do país. Subliminarmente, percebemos ser tudo culpa de Bush, dos invasores americanos e remotamente da cimeira das Lajes.
A 22, o mesmo repórter encontra uma cidade fervilhante de esperança, onde as forças policiais e militares iraquianas “ganham credibilidade e são treinados para fazer frente a situações de risco”.
Os enviados especiais da RTP a Bagdade encontram "uma cidade mais segura e interessada em combater a al Qaeda". (já não se trata de organizar a resistência contra o invasor americano?)
Esta equipa de enviados especiais, liderada por Luís Castro, acompanha mesmo uma patrulha da polícia

e entrevistam “anónimos” cidadãos, com a polícia em pano de fundo, tecendo maravilhas sobre o futuro do Iraque!
Digamos que existe um Iraque possível aos olhos de um jornalismo, que aprende a seguir as regras que lhe são impostas. Bush teria vertido uma lágrima de emoção se tivesse visto esta segunda reportagem. Afinal a democracia no Iraque começa a ser uma sólida realidade e logo aos olhos do jornalismo sério, independente e rigoroso!


14 comentários:
Não existe só o lado bom, existem duas realidades e como explicaria ele a primeira reportagem depois de lhe ter caido uma lágrima de tristeza...
António vim também desejar-lhe uma boa Páscoa com imensos docinhos =)
Raiz, e qual é o lado bom da reportagem? A que relata um país a ferro e fogo, que organiza a sua resistência contra o opressor americano, ou a que nos mostra, sobre a tutela da polícia, um país cheio de confiança em si mesmo e preparado para enfrentar a Al Qaeda?
E qual o lado inocente da entrevista a anónimos e espontâneos cidadãos, com a polícia como pano de fundo?
Só uma pergunta: quem tutela a polícia que tutela o jornalista?
Quando disse lado bom, não me expressei bem, não há nenhum lado bom, mas referia-me à segunda parte da reportagem.
Pois... a policia como pano de fundo serve como argumento para o optimismo e a espontaneadade dos cidadãos mesmo que estes não se sintam optimistas...
Passei para desejar BOA PÁSCOA!
ABR...PROF...
Páscoa Feliz.
Pois é António, é muito dificil ver a verdade. As pessoas vêm com os olhos da mente e não com os do corpo. Vêm aquilo que lhes convém ver, seja por crença ou por encomenda ou por conveniência.
Além de que a verdade é muito complexa. É mais fácil pintar um quadro simples, uma mentira credivel, do que tentar fazer um retrato real.
O que é importante é que compreendamos que é assim e que temos de exercer sentido crítico sobre toda a informação, NÃO PODEMOS SER CRENTES.
Gostei do que encontrei ao chegar aqui..voltarei naturalmente, porque gosto de me passear por lugares onde posso beber sabedoria e isso aqui acontece..parabéns..um abraço, ell
A 24.032.2008 depois de ver o fim de mais um jogo da Premier, dou por mim a passar de canal em canal e aterro na BBC WORLD ... o dito bairro verde de Bagdade está a ser bombardeado por rockets da guerrilha.
Ia ser um passeio, na visão dos neo-cons, e saiu-lhes um atoleiro.
Não digo que derrubar Saddam fosse coisa que não se devesse fazer, o que sempre disse é que mais valia ter aterrado em força no Afeganistão e acabar com aquela balbúrdia.
Assim, em Cabul ninguém manda, no Paquistão o Musharraf dá-nos um baile inacreditável, em Bagdade levam forte e feio e os terroristas ditos islâmicos (os cruzados também eram cristão) perdem-nos o respeito ...
Quint, por isso gosto mais da reportagem do Luís... fiquei comovido, um país inteiro empenhado na luta contra a Al Qaeda!
Bicho de conta, volte sempre e deixe a sua opinião.
A guerra é sempre assustadora ..Eu sou de paz e assim quero e vou continuar..boa semana, ell
Nice, we're touching the same subject under different angles!
Everything we might say has already been said. This is a useless, worthless war. The great victims are the Iraqi citizens. Fighting AlQaeda, reconstructing the country, resisting an invasion, I'd say that's heroic, don't you think?
Sim Blonde e felizmente temos um repórter suficientemente ginasticado para cobrir o ângulo do momento certo.
Numa coisa fiquei confuso: não era suposto a Al Qaeda ter ido para o Iraque para combater o invasor americano? Suponho que a Al Qaeda não é também um invasor...
Pois assim é a “informação” que temos!
Só não percebo uma coisa: porquê este mimetismo que nos leva a funcionar em função destes “ruídos” cuja “credibilidade” até temos identificada ? Porquê que até nestes espaços não se consegue criar uma “agenda” autónoma ? Alguém me explica ?
Manuel, tentativa de resposta no próximo post.
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